Somos uma associação de igrejas luteranas no Brasil que tem a Bíblia como única regra de fé e prática. Nossa sede está situada em Campo Mourão, PR. Cada igreja é independente mas coopera com as demais igrejas para realização de eventos destinsados à comunhão e edificação através de retiros e conferências.  Mantemos uma Escola Bíblica e Seminário em Campo Mourão. Também temos um ministério com crianças e adolescentes em situações de risco no Casa Lar Infantil Miriã.

SOBRE NÓS

História das Igrejas Luterana Livre

A Igreja Luterana é uma Igreja evangélica (Protestante). O nome "Luterana" deriva de Martinho Lutero, um ex-padre católico que viveu na idade média (10/11/1483 - 18/02/1546) e desencadeou um processo de conscientização na Igreja que redundou na REFORMA. Este movimento atingiu várias regiões na Alemanha, e teve influência cultural e social no mundo inteiro, principalmente na Europa. 

Tudo começou quando Lutero, preocupado com a salvação eterna, descobriu que havia representantes da Igreja vendendo cartas de perdão dos pecados, as chamadas "indulgências." 

Convicto de que isso era um abuso de cléricos corruptos, Lutero escreveu um manifesto com 95 afirmações contra a venda do perdão, e o pregou na porta da Igreja de Wittenberg no dia 31 de Outubro de 1517. Esta data passou a ser considerada o DIA DA REFORMA. Nessas afirmações Lutero procurou mostrar que Deus perdoa de graça a quem crê em Jesus Cristo, e que não se pode comprar o perdão de Deus ou conquistá-lo por méritos ou esforços próprios. 

Segundo a Bíblia, Deus nos aceita como justos somente quando cremos e confiamos em Jesus Cristo. Recebemos a salvação pela fé e não pelas boas obras que praticamos. Esta fé leva necessária e espontaneamente a produzir boas ações, assim como a árvore saudável produz bons frutos. 

Em consequência disso, Lutero recebeu uma ordem do Papa exigindo que ele se retratasse de suas afirmações. Daí descobriu que o próprio Papa estava por trás desses abusos. Como se recusasse a retratar-se, Lutero foi excomungado. Ele não queria fundar uma nova Igreja. Queria, sim, uma reforma na igreja Católica Romana de sua época, mas diante da excomunhão, não lhe restou outra alternativa. 

Lutero, com suas idéias, recebeu grande adesão de lideranças e do povo que estava cansado de ser explorado pela Igreja daquela época e ansiava por reformas. Assim Lutero lutou por uma série de mudanças. Entre elas: 

  1. Determinou que a pregação fosse na língua do povo e não mais em Latim.

  2. Traduziu a Bíblia para a língua do povo e defendeu o direito de cada cristão ler e interpretá-la em busca da verdade e para edificação de sua fé. 

  3. Incentivou a criação de escolas para que todos pudessem aprender a ler e escrever. 

  4. Defendeu o direito de cada comunidade chamar ou demitir seus pregadores e professores em assembléia geral. Desta forma, favoreceu um processo democrático na Igreja.

  5. Como Cristo é o único intermediário entre Deus e os seres humanos conforme a Bíblia, Lutero acabou com a prática da oração aos santos e à mãe de Jesus. Os santos, cristãos que deixaram um bom exemplo de fé para ser seguido, devem ter sua memória preservada, mas não ser colocados a posição de intermediários entre nós e Deus. 

  6. Alguns anos depois de iniciada a Reforma, Lutero contraiu matrimônio com Catarina Von Bora. O reformador não via sentido nos votos do celibato obrigatório. Por isso, o pastor na Igreja Luterana também tem a liberdade de casar-se e constituir família. 

  7. Lutero valorizou o trabalho do cristão na sociedade. Tanto o trabalho profissional, como a busca de soluções para os problemas sociais, são trabalhos que agradam a Deus, pois servem ao próximo. 

  8. A vida de fé no dia-a-dia deve ser orientada pela palavra de Deus. Esta recebeu sua interpretação definitiva através do anúncio do Evangelho por Jesus Cristo, o filho de Deus, que se tornou pessoa humana. Sua vida é exemplo de obediência à vontade de Deus a ser seguido por nós. Sua morte na cruz e a sua ressurreição são motivos de esperança que transformam a nossa vida temporária e nos assegura a nossa ressurreição. Por isso, não cremos na doutrina da reencarnação. 

  9. O comportamento ético do cristão, sua responsabilidade social e política são resultados de decisões tomadas à luz do Evangelho, sempre levando em consideração três critérios: O que serve ao próximo? O que promove a vida? E o que contribui para o louvor de Deus? 

  10. Nenhuma pessoa humana é perfeita na tomada de decisões. Por isso, precisamos de perdão que Deus concede de graça para aqueles que se arrependerem. 

 

Com a imigração de colonos escandinavos à América do Norte no século XIX foi enviado pastores luteranos das igrejas estatais para atenderem às necessidades religiosas. Por causa da influência Pietista e a liberdade religiosa da América houve movimento por parte de alguns para organizar uma Igreja Luterana que incorporasse os princípios do Pietismo tais como: a participação ativa dos leigos, o estudo da Bíblia, evangelismo e a vida separada das coisas mundanas. Sob a orientação dos professores George Sverdrup e Sven Oftedal do Seminário de Augsburgo em Minneapolis, E.U.A. formulou-se "Os Princípios Fundamentais de uma Igreja Luterana Livre" em 12 de junho de 1897, iniciando oficialmente esta denominação. A palavra "livre" foi usada para indicar que cada congregação era independente, mesmo trabalhando juntos numa associação religiosa. 

Através do zelo evangelístico e visão missionária desses fundadores a Igreja Luterana Livre cresceu contando no início de 1950 com quase 400 igrejas nos Estados Unidos, Canadá, China e Madagascar, além de vários hospitais e colégios. Porém, a partir de 1955 houve um movimento por parte de alguns para unirem-se com uma outra denominação luterana formando assim uma igreja maior. Esta idéia foi combatida por várias razões: 

1) estas denominações pertenciam ao Conselho Mundial das Igrejas que incluia grupos que não podiam ser considerados evangélicos;
2) a teologia da nova igreja não refletia os princípios do Pietismo nem uma interpretação conservadora da Palavra de Deus; 
3) a liberdade e autonomia das igrejas locais seria perdido na união; 
4) e a forma do culto simples seria comprometido ao unirem-se com um grupo que enfatizava um culto mais litúrgico. 

Depois de vários anos de discussão, a maioria da Igreja Luterana Livre uniu-se em 1961 à Igreja Luterana Americana (ALC). As igrejas que não entraram nesta união formaram no ano seguinte a Association of Free Lutheran Congregations (AFLC) no dia 25 de outubro. Com muita oração e dedicação enviaram seus primeiros missionários ao Brasil em 1964 que deram início ao trabalho em Campo Mourão, Paraná, em março do ano seguinte. 

Hoje a Associação das Igrejas Luterana Livre do Brasil continua em crescimento com trabalhos em vários estados do território nacional, sendo dirigida por um conselho nacional eleito pelas igrejas locais em conferência anual. Através do SETELL (Seminário Teológico Luterano Livre), jovens e futuros obreiros estudam a Palavra de Deus com a mesma reverência dos antigos reformadores, aprendendo a servir as igrejas locais no espírito pietista. Junto igrejas irmãs nos Estados Unidos, Suiça, México, Uganda, Canadá e India, a AILLB trabalha para levar avante o evangelho de salvação em Cristo Jesus, "estando plenamente certo de que aquele que começou a boa obra, há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus."  (Filipenses 1:6)

 

 

 

Os Doze Princípios Fundamentais da Igreja Luterana Livre

 

  • De acordo com a Palavra de Deus, a Igreja é a forma mais acertada do Reino de Deus na terra.

  • A igreja local consiste dos crentes, os quais, pelos instrumentos da graça e dos dons espirituais como apresentados na Palavra de Deus, buscam a salvação e a bem-aventurança eterna para si mesmos e para os outros.

  • De acordo com o Novo Testamento,  a igreja local precisa uma organização externa com arquivo de membros, eleição de oficiais, tempos e lugares determinados para suas reuniões e outras provisões semelhantes.

  • Os membros da igreja local nem sempre são crentes verdadeiros e tais membros muitas vezes acham falsa esperança através de sua relação externa com a igreja. Por isso, a obrigação sagrada da igreja é de purificar‑se pela pregação da Palavra de Deus, pela admoestação e exortação zelosa, e pela disciplina dos que procedem pecaminosa e perversamente.

  • Cada igreja local dirigirá seus próprios negócios, somente sujeitando‑se à autoridade da Palavra de Deus e ao Espírito Santo, e não reconhecerá nenhuma outra autoridade eclesiástica ou governo sobre si.

  • A igreja local reconhece e aprecia todos os dons espirituais que o Senhor dá para sua edificação, e ela procura estimular e encorajar o uso deles.

  • Uma igreja local aceita com alegria a assistência que as demais igrejas podem contribuir, uma para com a outra, na obra do crescimento do Reino de Deus.

  • Em parte tal assistência consiste em compartilhar os dons espirituais entre as igrejas por meio de conferências, intercâmbios, atividades dos membros, etc.,  assim se edificando mutuamente; e em parte consiste na cooperação voluntária das congregações sob a inspiração do Espírito Santo em realizar ministérios que vão além da capacidade da congregação local.

  • Entre tais obras podem ser mencionadas, especificamente, o preparo de obreiros, distribuição de Bíblias e outra literatura cristã, missões nacionais e internacionais, orfanatos e outras obras de caridade.

  • A igreja local não tem o direito de exigir que as demais submetam às suas opiniões, vontades, julgamentos ou decisões; então, predomínio duma maioria sobre uma minoria fique rejeitada.

  • Agências nomeadas ou votadas para conduzirem as atividades mútuas das congregações na Associação, tais como conferências, comitês, oficiais, etc., não podem, na Igreja Luterana Livre, impôr qualquer obrigação ou restrição, exercer pressões ou compulsões sobre as igrejas locais, mas tem o direito apenas fazer recomendações e apelos às igrejas e aos seus membros.

  • Cada igreja local, bem como cada crente, é constrangido (motivado) pelo Espírito Santo e pelos privilégios do amor cristão, a praticar o bem e a trabalhar para a salvação das almas e pelo avivamento da vida espiritual da igreja conforme seus próprios dons e poderes. Tal atividade não fica limitada por restrições da igreja local nem da Associação.